TLR tem a aprovação de 94% dos farmacêuticos

A realização de “Testes Laboratoriais Remotos” (TLR) nas farmácias conta com a aprovação de 94,2% dos farmacêuticos atuantes no País. O resultado faz parte de uma pesquisa inédita realizada pela Abrafarma e pela Sociedade Brasileira de Farmacêuticos e Farmácias Comunitárias (SBFFC), durante os meses de junho e julho deste ano. Foram ouvidos 2.440 profissionais de todos os estados brasileiros, representando farmácias independentes e das redes.

“Estamos unidos com demais entidades farmacêuticas, dentre elas, nossa entidade maior, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) na defesa do avanço da profissão, sobretudo do segmento de farmácia comunitária. Desde ontem, 30 de julho, estamos numa imersão no CFF, em Brasília, com profissionais de notável saber, buscando dados que possam nos revelar situações favoráveis e críticas”, afirma a presidente da SBFFC, Sueza Oliveira

O levantamento da Abrafarma/SBFFC também buscou mapear as dificuldades encontradas junto às vigilâncias sanitárias locais, na implantação dos serviços farmacêuticos, para posteriormente apresentar os dados durante o Diálogo Setorial que a Anvisa promoverá no dia 1º de agosto sobre a revisão da RDC 44/09 e também sobre a utilização do TLR nas farmácias.

Do total de entrevistados, 71,6% trabalham em farmácias que dispõem de sala de serviços ou consultório farmacêutico. Desse percentual, 72,7% promovem a medição de pressão arterial, enquanto 51,2% realizam testes de glicemia. “Mesmo a vacinação, cuja aprovação é mais recente, já é realizada por 7,5% dos farmacêuticos, o que significa um grande avanço”, comenta Cassyano Correr, coordenador do Programa de Assistência Farmacêutica Avançada da Abrafarma, cujas redes associadas contabilizaram quase 4 milhões de atendimentos em salas clínicas nos últimos dois anos.

Exames rápidos como perfil lipídico (12,7%), beta-HCG (8,5%), HIV (4,7%), hepatite C (6,5%), hepatite B (6,5%), influenza (6,5%), hemoglobina glicada HbA1c (404%), PSA (próstata); dengue, zika e chikungunya (6,5%), PSA (5,3%) e TSH (2,5%) continuam em ritmo de crescimento especialmente nas grandes redes. “O TLR permite o rastreamento de pessoas com riscos para doenças como diabetes, colesterol elevado, hepatite, sífilis ou mesmo HIV, com apropriado encaminhamento nos casos necessários, bem como acompanhar o tratamento. É um benefício para a saúde pública”, ressalta Correr.

Barreiras

Apesar da evolução, 94,2% informaram não ter recebido nenhum apoio das Vigilâncias Sanitárias (Visas) locais para viabilizar modelos de assistência farmacêutica. Já 67,9% foram obrigados a implementar uma sala exclusiva, mesmo sem nenhuma requisição do gênero por parte da Anvisa. Há relatos de Vigilâncias Sanitárias que exigiram sala exclusiva até para medição de pressão arterial e aplicação de injetáveis. Outras determinações incluem desfibrilador no local; banheiro ou área de espera separadas para sala de vacinação, mesmo que já existam esses dois espaços nas farmácias; e mais de uma pia dentro da sala para lavagem de materiais – atividade que não integra o escopo desse serviço.

Em alguns municípios, as farmácias não conseguem obter o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) por desinformação da prefeitura e outras vigilâncias simplesmente emitiram opinião contrária à realização de serviços clínicos, mesmo havendo respaldo em Lei Federal. “Há vigilâncias exemplares pelo País, mas infelizmente não parecem ser a maioria. É algo que não se vê quando o atendimento é feito a clínicas particulares ou laboratórios clínicos, por exemplo. Essa discrepância é lamentável. Perde o paciente, perde o Brasil”, finaliza Correr.

Fonte: SBFFC, com informações da Redação Panorama Farmacêutico